sábado, 11 de janeiro de 2025

A IMPORTANCIA DO BRINCAR PARA A CRIANCA

Brincar é o verbo da criança. Brincar é a maneira como ela conhece, experimenta, aprende, apreende, vivencia, expõe emoções, coloca conflitos, elabora-os ou não, interage consigo e com o mundo. Ao lidar com determinado objeto (uma pedra, uma lata, um arco de madeira ou outra coisa qualquer) a criança procura, através de sua percepção mais imediata, sondar seus atributos, dando a ele significados que na grande maioria das vezes a leva a construir um brinquedo, que conduzirá suas ações e desencadeará uma brincadeira. O corpo é um brinquedo para a criança. Através dele, ela descobre sons, descobre que pode rolar, virar cambalhota, saltar, manusear, apertar, que pode se comunicar. Na brincadeira a criança aprende a conhecer a si própria, as pessoas que a cercam, as relações entre as pessoas e os papéis que elas assumem (brincando de professora). É somente no brincar que a criança pode ser criativa e utilizar sua personalidade. Entre o perceber o objeto, sondar suas propriedades, construir o brinquedo e desenvolver a brincadeira existe toda uma gama de possibilidades de observar e trabalhar o lidar, o transformar, o interagir, o construir da criança. É importante que a criança possa brincar sozinha e em grupo, preferencialmente com crianças de idade próximas. Desse modo ela tem possibilidade, também, de ampliar sua consciência de si mesma, pois pode saber como ela é num grupo que é mais receptivo, num outro que é mais agressivo, num que ela é líder, num outro em que é liderada, etc. Lidando com as diferenças, ela amplia seu campo de vivências. Através da brincadeira é possível formar indivíduos com autonomia, motivados para muitos interesses e capazes de aprender rapidamente. Pois o brincar conduz aos relacionamentos grupais; o brincar pode ser uma forma de comunicação na psicoterapia. O psicopedagogo busca a comunicação da criança e sabe que geralmente ela não possui um domínio da linguagem capaz de transmitir as infinitas sutilezas que podem ser encontradas na brincadeira por aqueles que as procuram. Devemos comunicar-nos com as crianças através da brincadeira ou jogo e de algumas palavras simples que possam captar claramente, pois, o desenvolvimento infantil se encontra particularmente vinculado ao brincar, uma vez que este último se apresenta como a linguagem própria da criança, através da qual lhe será possível o acesso à cultura e sua assimilação. O brincar se apresenta como fundamental tanto ao desenvolvimento cognitivo e motor da criança quanto à sua socialização, sendo um importante instrumento de intervenção em saúde durante a infância. Tipos de brinquedos Os brinquedos devem ser adequados ao interesse ás necessidades e ás capacidades da etapa de desenvolvimento na qual a criança se encontra. Embora todas passem pelos mesmos estágios, a época e a forma como o desenvolvimento se processa pode variar bastante. Dos 18 aos 24 meses A criança começa a internalizar as ações realizadas e passa a lembrar-se de pessoas e coisas. Sua memória já esta ativa, desenvolve a capacidade de imitar e inicia assim o processo de representação mental que irá subsidiar o surgimento da brincadeira simbólica, o jogo de faz de conta que se estabelecerá na próxima fase. A criança já é capaz de correr e trepar. Começa a querer ser independente, fazer tudo sozinha mesmo que ainda não consiga. A água, a terra e a areia são os grandes atrativos. Brinquedos adequados: • Carrinhos ou outros brinquedos de puxar e empurrar; • Blocos de construção; • Brinquedos de desmontar (grandes); • Túnel para atravessar; • Cavalo de pau. • Carro ou bicicleta sem pedal; • Livros com ilustrações coloridas e simples; • Bolas. Aos 2 anos • Gosta de estar com outras crianças, mas ainda não brinca junto. Cada criança fará a sua atividade, podendo ou não uma imitar a outra. • Briga facilmente e disputa brinquedos; • Não gosta de emprestar seus brinquedos. Aos 3 anos • Começa a reconhecer e reconhecer cores e formas; • Tenta registrar seus pensamentos em desenhos; • Imita os adultos em seus afazeres; • Seu poder de imaginação vai aumentando gradativamente. Aos 4 anos Os desenhos são mais completos e elaborados; • Começa a brincar de médico, papai, mamãe, entre outros; • A linguagem verbal é bem desenvolvida; quer saber de tudo: nome, características, funcionamento. Gosta de livros, procura reconhecer figuras que estão no momento; • Explora o seu corpo e de outras crianças; • Brinca de forma cooperativa; • Amigos imaginários estão sempre presentes nas brincadeiras; • Gostam de usar fantasias como Super-homem, Mulher Maravilha, Barbie, Princesa etc. Aos 5 anos • Conhece todas as cores; • Começa a aceitar as regrar das brincadeiras, procura segui-las, mas pode trapacear para não perder; • O menino gosta de brincar de mocinho e bandido, tornando assim as brincadeiras mais agitadas e cheias de ação. • A menina já gosta de brincadeiras mais calmas, como as atividades domésticas e sociais; • As competições vão sendo mais freqüentes, mas ainda não consegue assimilar derrotas. Aos 6 anos • Gosta de vários tipos de jogos, quer ganhar sempre; • Consegue um jeito de trapacear para ganhar; • Gosta de brinquedos rudes; • Surgem novos relacionamentos com colegas e professores.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

CONFLITOS FAMILIARES

Para Pereira, um conflito familiar passa por duas etapas ou razões primordiais e importantes: ciúmes e dinheiro. Um ou outro. Quando não os dois juntos. Conflito familiar não escolhe classe social, e ninguém está imune a ele. Certamente você tem uma história na sua família. Por vezes pai ou mãe são os fatores que fazem as aparências ser mantidas. Mas quando estes se vão… Em muitos lares, aniversários, datas especiais e festividades de fim de ano, são comemoradas parcialmente porque irmãos não podem se encontrar no mesmo recinto. Você já presenciou alguma cena destas? Numa determinada família a cada final de ano os pais ceavam cinco vezes seguidas. Cada uma com um filho diferente. O irmão mais velho reclama do segundo, as duas irmãs reclamam uma da outra e o caçula reclama de todos. Um filho intermediário de uma família numerosa desde pequeno mostrava intolerância para com seus irmãos. Tudo dele era melhor, mesmo que fosse inferior. Seus amigos eram melhores do que os amigos dos seus irmãos. Ciumento com suas coisas, tudo era guardado debaixo de segredos e segredos. Seus olhos por vezes ficavam vermelhos. O que era intolerância pueril, virou arrogância adulta. Sua situação financeira era péssima, pois negócios mal feitos o levaram a quase passar por necessidades. Para ele a culpa de ele estar naquela situação eram dos seus ex-amigos e ex-sócios, que segundo ele o haviam roubado e enganado. O conflito com seus irmãos ainda continuava, pois, beligerante não perdoava nada. Um carro novo, uma viajem, um relógio comprado eram motivos mais do que suficientes para a critica exasperada e continua. Na mesma hora que sorria, hostilizava, numa atitude de passionalismo exacerbada. Mesmo com toda esta carga emocional e de problemas um dos irmãos resolveu que devia ajudá-lo. Depois de muitos anos afastados somente se cumprimentando, mas não sendo inimigos, foi lhe dada a oportunidade de fazer alguns negócios, sobre a tutela do irmão. O irmão deu carro, dinheiro, roupas, apresentou amigos e clientes, dando a chance de se restabelecer financeiramente. Durante uns poucos meses as coisas pareciam ir bem, mas novamente o ciúme e a inveja falaram mais altos e ele fez o que fizera a vida inteira: indispôs-se com seu irmão. Só que desta vez foi longe demais. O sucesso alheio o maltratava e logo ele revelou o seu verdadeiro eu. Esta história faz lembrar do episódio da serpente venenosa com a espinha quebrada. Não adianta tratar dela. Tem de deixá-la à própria sorte, se você for cuidar dos ferimentos e ela se curar, cedo ou tarde ela vai te morder. É da índole e do caráter dela. Não há outro jeito. Você pai pode dizer que a misericórdia divina deve superar cada obstáculo destes. É verdade. Mas vá dizer isto a gente que tem o caráter corrompido? Primeiro que o errado nunca vai reconhecer que está errado. Depois porque a arrogância e a empáfia dele jamais vai permitir que ele se humilhe diante dos seus irmãos. Daí o conflito tende sempre a se acentuar cada vez mais. Se tiver dinheiro envolvido na história então… Qual então é o papel dos pais neste processo todo? O diálogo deve ser exercido de todas as formas e meios. Muitos são incapazes de detectar os conflitos e os sanearem. Não estamos abordando os relacionamentos de pais com filhos, de marido e mulher, ou dos demais graus de parentesco, somente os entre irmãos. Invariavelmente o conflito familiar entre irmãos tem as suas origens na infância. O pai gosta mais de um do que de outro. A mãe aprecia mais o outro do que o um, e por ai vai. Há filhos que não sentem, mas via de regra ressentem-se pela vida afora. Em qualquer família tem sempre aquele que se destaca em tudo o que faz, tem aquele que trata os pais com carinho e atenção, tem aquele que por motivos diversos se retrai, tem o expansivo e o tímido, o que explode por tudo e o que tudo tolera. Tem o sorridente e o que chora por nada. Há pais que tratam os diferentes como iguais e os iguais como diferentes. Há também a questão dos anos que se passam, nem sempre o amoroso da infância é o atencioso na idade adulta, o certo é que por vezes os conflitos familiares nascem nas disputas domésticas por um carrinho, um carinho, uma boneca, um pedaço diferente do bolo da mamãe, e atravessa armazenando raízes de amargura e ódio, para descambar em irreversíveis conflitos que jamais serão resolvidos. Há aqueles casos de que um dos irmãos fez com que a estabilidade financeira da família vá para o buraco, por imprevidência, por causa de negócios mal feitos ou mesmo por imprudência. Os conflitos familiares são extremamente dolorosos e deixam as suas marcas indeléveis. O grande e crucial problema é que pais não sabem como resolvê-los. Por vezes as tragédias ou dores reaproximam os contendores, mas jamais as relações serão as mesmas, ficará no ar a mágoa e a dor. Permanecerá a desconfiança de que quem aprontou uma vez, fará de novo. Para Emiliano, Os conflitos são inerentes ao processo de evolução dos seres humanos. A relação em família é complexa, pois cada ser humano é singular em relação a sua história, temperamento, idade, composição genética, etc.. No jogo relacional há alianças e luta pelo poder. Nos diversos relacionamentos, as diferenças individuais quanto às percepções e necessidades emergem, pois cada pessoa forma a sua própria percepção e tem necessidades num determinado momento. Essas diferenças no contexto relacional tornam-se as bases dos conflitos. As diferenças, comumente, não são percebidas como oportunidades de enriquecimento e acabam sendo usadas de modo destrutivo. Assim, a diferença que leva a um conflito de interesse (discordância) é percebida como insulto e/ou desamor. O casal ao interagir com os filhos influência na construção de suas identidades, bem como transmite-lhes modelos de relacionamento que serão levados para todas as áreas de suas vidas: amizade, profissional, amor, etc. É vital ao bom ambiente familiar que o casal possua uma forte aliança, saiba lidar com seus conflitos, colabore entre si e satisfaça necessidades mútuas. Por outro lado, é importante também que em suas funções de pais, exista apoio à autoridade de cada um dos cônjuges com relação aos filhos. Pode-se encontrar em qualquer relacionamento permanente, seja ele conjugal, entre pais e filhos, a família como um todo, ou relacionamento da família com outros sistemas sociais, formas de conflitos submersos, não resolvidos. Esse tipo de conflito pode acarretar distância emocional, disfunção física ou psicológica, ou envolvimento em uma aventura amorosa. Quando há questões mal resolvidas entre o casal, uma ou mais crianças se envolvem no conflito marital, com a função de distrair os pais do conflito. Essa criança fica muito próxima de um ou ambos os pais, e as fronteiras entre as gerações são rompidas. Há uma excessiva dependência mútua e a autonomia da criança e dos pais torna-se limitada. A falta de comunicação, somada à dificuldade para resolver problemas em conjunto são fatores negativos na criação dos filhos. As divergências dos pais, veladas ou abertas, em relação à educação dos filhos, os deixam confusos e, com freqüência, as crianças usam de manipulações, jogando os pais um contra o outro. Os conflitos tornam–se mais fáceis de serem enfrentados quando ambos os parceiros compreendem as questões e suas origens. Para tal é necessário cada um entender e aceitar os seus próprios medos, valores, expectativas e proteções e também as do parceiro. Torna-se necessário ter clareza da ligação entre o presente e o passado. A percepção desta conexão possibilita que não se fique apenas repetindo padrões relacionais antigos, ou seja, dando respostas antigas a situações novas, levando para o casamento e para a nova família uma repetição do relacionamento anterior com os seus próprios pais. Os relacionamentos adultos transferem, quase sem alterações, as características de disputas de poder entre pais e filhos, que cada um dos parceiros anteriormente tivera. Por exemplo, na luta pelo poder, pode-se observar que a mãe, normalmente é a detentora do controle no dia-a-dia; assim, tanto as meninas quanto os meninos podem resistir a isso. Quando adultas, as mulheres podem assumir esse mesmo papel, enquanto os homens transferem resistência às suas mulheres. Nesta luta pelo poder geram-se conflitos. Uma crise séria pode ser o ponto de partida para interromper esse círculo vicioso. Mas uma estratégia duradoura é poder enfrentar os fantasmas do passado.

domingo, 16 de abril de 2023

DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE - segundo a teoria Freudiana.

Sigmund Freud (1856-1939) formou-se em medicina na Universidade de Viena, em 1881, e especializou-se em psiquiatria. Em 1915 elaborou o denominado Modelo Topográfico do psiquismo humano, dividindo os conteúdos e as operações da mente com base em serem eles conscientes ou inconscientes. Diferenciou três sistemas mentais, aos quais chamou de: inconsciente e consciente e pré-consciente. O consciente e tudo aquilo que temos percepção de nos mesmos. O inconsciente armazena conteúdos por nos reprimidos. A qualquer momento, através da atenção, podem se tornarem conscientes. O inconsciente designa aquilo que está barrado de penetrar na consciência, reprimido na profundidade do psiquismo. O Pré-Consciente é uma parte do inconsciente, que pode tornar-se consciente com facilidade. Para Freud há conexões entre todos os eventos mentais. Quando um pensamento ou sentimento parece não estar relacionado aos pensamentos e sentimentos que o precedem, as conexões estão no inconsciente. Uma vez que estes elos inconscientes são descobertos, a aparente descontinuidade esta resolvida. No inconsciente estão elementos instintivos, que nunca foram conscientes e que não são acessíveis à consciência. Além disto, há material que foi excluído da consciência, censurado e reprimido. Este material não é esquecido ou perdido, mas não lhe é permitido ser lembrado. Memórias muito antigas quando liberadas à consciência, não perderam nada de sua força emocional. A maior parte da consciência é inconsciente. Aqui estão os principais determinantes da personalidade, as fontes da energia psíquica, e pulsões ou instintos. Para termos acesso ao inconsciente podemos usar de ferramentas tais como: hipnose, interpretação dos sonhos, actos falhos e transfert. O consciente é somente uma pequena parte da mente, inclui tudo do que estamos cientes em um dado momento. Embora Freud estivesse interessado nos mecanismos da consciência, seu interesse era muito maior com relação às áreas da consciência menos expostas e exploradas, que ele denominava pré-consciente e inconsciente. Pré-Consciente é uma parte do inconsciente, mas uma parte que pode tornar-se consciente com facilidade. As porções da memória que são acessíveis fazem parte do pré-consciente, ele é como uma vasta área de posse das lembranças de que a consciência precisa para desempenhar suas funções. Em 1923, Freud dividiu o psiquismo humano, na denominada Teoria Estrutural, em três instâncias: id, ego e superego. De forma elementar pode se dizer que o id consiste nas representações dos instintos, o ego compreende as funções ligadas às relações do indivíduo com o seu ambiente e o superego reúne os preceitos morais e as aspirações ideais. Podemos considerar o id como o componente biológico da personalidade, o ego como o componente psicológico e o superego como o componente social. Freud acreditava que no psiquismo do recém nascido havia apenas id. O ego se desenvolveria posteriormente no processo de maturação do psiquismo e o superego ainda mais tarde. O id (palavra latina que significa isto) é o sistema original, inato da personalidade, do qual surgem os dois sistemas. É o reservatório de energia psíquica que fornece a força para a operação de toda a personalidade. Está em estreito contato com os processos físicos, dos quais recebe sua energia. O id contém os instintos básicos do sexo e da agressão (também chamados instintos de vida e de morte). Seu conteúdo não está diretamente disponível à consciência. Dizemos que existe num estado de repressão, o que significa que as forças ativas se opõem a sua transformação em conhecimento consciente. Para investigar esse conteúdo e os processos inconscientes, Freud desenvolveu os métodos da associação livre e análise dos sonhos. O id não pode tolerar aumentos dolorosos de tensão. Conseqüentemente, se seu nível aumentar, seja por estímulos externos, seja por excitações produzidas internamente, ele procurará descarregar esta enorme tensão imediatamente, de maneira impulsiva e muitas vezes irracional. Este método impulsivo de redução de tensão, pelo qual o id opera, é chamado o princípio do prazer. Nesta fase o complexo de Édipo e o complexo de castração estão presentes. O complexo de Édipo contém o desejo sexual da criança pelo progenitor do sexo oposto e sua hostilidade para o progenitor do mesmo sexo. No menino, o complexo de castração consiste no medo de que será emasculado pelo pai por desejar a mãe. Ma menina, consiste na inveja dos órgãos genitais mais salientes do homem. Ela também sente ter sido castrada no começo da vida como castigo por desejar o pai e odiar a mãe. Essa sensação é reforçada pela hemorragia que ocorre durante a menstruação. Os dois complexos exercem uma tremenda influência sobre nossos sentimentos e interações, tanto com o mesmo sexo quanto com o sexo oposto, ao longo de nossas vidas. O ego surge porque o id não se torna capaz de satisfazer as necessidades do organismo por meio de transações apropriadas e racionais com o mundo objetivo da realidade. Ele opera de acordo com o princípio da realidade, cujo objetivo é evitar a descarga de tensões do id até que se encontre um objetivo apropriado, no mundo externo, para aquela necessidade. Em seus contatos, usa a percepção, a memória e o pensamento. O ego é chamado de executivo da personalidade, pois dirige as portas que levam à ação, escolhe os aspectos do ambiente com os quais reagirá e decide quais instintos serão satisfeitos e de que maneira. Ele procura integrar as exigências freqüentemente conflitantes do id, do superego e do mundo externo. Isso não é uma tarefa fácil e às vezes lhe causa ansiedade. Para evitar a ocorrência de ataques de ansiedade, ele aprende a usar vários mecanismos de defesas. Superego é o representante interno dos valores ideais tradicionais da sociedade, como foram interpretados para a criança, por seus pais, e inculcados por meio de recompensas e castigos que se lhe impuseram. Constitui-se no braço moral da personalidade; representa antes o ideal do que o real, empenhando-se mais em obter perfeição do que prazer. O superego tenta inibir os impulsos do id, especialmente os do sexo e da agressão, já que esses são aqueles cuja expressão é mais intensamente condenada pela sociedade. Tenta também convencer o ego a trocar metas realistas por moralistas. Com a formação do superego, o domínio sobre si mesmo substitui a direção dos pais ou externa. Sob circunstâncias comuns, esses princípios divergentes costumam colaborar como um conjunto sob a liderança administrativa do ego. A personalidade funciona normalmente como um todo integrado, muito mais do que como três segmentos separados. RELACAO ENTRE OS TRES SUBSISTEMAS A meta fundamental da psique é manter e recuperar, quando perdido, um nível aceitável de equilíbrio dinâmico que maximiza o prazer e minimiza o desprazer. A energia que é usada para acionar o sistema nasce no Id, que é de natureza primitiva, instintiva. 0 ego, emergindo do id, existe para lidar realisticamente com as pulsões básicas do id e também age como mediador entre as forças que operam no Id e no Superego e as exigências da realidade externa. O superego, emergindo do ego, atua como um freio moral ou força contrária aos interesses práticos do ego. Ele fixa uma série de normas que definem e limitam a flexibilidade deste último. REFLEXAO PESSOAL 1. Faça uma lista das características desejáveis e indesejáveis de seus pais. 2. Examine, registre e reflita as semelhanças e diferenças. Existem traços comuns entre vocês? FASES PSICOSSEXUAIS DO DESENVOLVIMENTO Freud acreditava que a personalidade é moldada pelas primeiras experiências, quando as crianças passam por um conjunto seqüencial de fases psicossociais. O termo “psicossocial” deriva da idéia de que a libido, que nada mais é do que energia sexual é colocada em regiões corporais diferentes, conforme o desenvolvimento psicológico progride. Três áreas corporais que Freud chamou de zonas erógenas – boca, anus e genitais – respondem intensamente à estimulação do prazer. (Davidoff, 508). Para ele, as fases são experimentos de nossas vidas, dia a pós dia, com uma progressão continua. Em cada fase do desenvolvimento, uma zona é especificamente influente. Essas fases desempenham um papel fundamental na formação da personalidade. Para melhor entendermos este modelo, devemos ter em mente as pulsões biológicas. Durante toda a nossa vida, somos motivados pela necessidade de suprimos nossas pulsões básicas. Para Freud essas pulsões mudam com o decorrer da vida, pois os objetos que a gratificam mudam também. Freud concluiu que existem cinco fases, sendo que as quatro primeiras ocorrem na infância e a última na adolescência como veremos na seqüência. Fase Oral: Desde o nascimento, necessidade e gratificação estão ambas concentradas predominantemente em volta dos lábios, língua e, um pouco, mais tarde, dos dentes. A pulsão básica do bebê não é social ou interpessoal, é apenas receber alimento para atenuar as tensões de fome e sede. No início, ela associa prazer e redução da tensão ao processo de alimentação. Características adultas que estão associadas à fixação parcial na fase oral: fumantes, pessoas que costumam comer demais, gostar de fazer fofoca, sarcasmo. Fase Anal: À medida que a criança cresce, novas áreas de tensão e gratificação são trazidas à consciência. Entre dois e quatro anos, as crianças geralmente aprendem a controlar os esfíncteres anais e a bexiga. A obtenção do controle fisiológico é ligada à percepção de que esse controle é uma nova fonte de prazer. Características adultas que estão associadas à fixação parcial nesta fase: ordem, parcimônia e obstinação. Fase Fálica: É a fase que focaliza as áreas genitais do corpo. É o período em que uma criança se dá conta de seu pênis ou da falta de um. É a primeira fase em que as crianças tornam-se conscientes das diferenças sexuais. Nesta fase é vivida a primeira etapa do Complexo de Édipo (a segunda será vivenciada na adolescência). Na infância, todo complexo é reprimido. Mantê-lo inconsciente, impedi-lo de aparecer, evitar até mesmo que se pense a respeito ou que se reflita sobre ele, essas são algumas das primeiras tarefas do superego em desenvolvimento. Período de Latência: Na idade de 5 a 6 anos até o começo da puberdade, é compreendido como um tempo em que os desejos sexuais não-resolvidos da fase fálica não são atendidos pelo ego e cuja repressão é feita, com sucesso pelo superego. Durante este período, a sexualidade normalmente não avança mais, pelo contrário, os anseios sexuais diminuem de vigor e são abandonadas e esquecidas muitas coisas que a criança fazia e conhecia. Nesse período da vida, depois que a primeira eflorescência da sexualidade feneceu, surgem atitudes do ego como vergonha, repulsa e moralidade, que estão destinadas a fazer frente à tempestade ulterior da puberdade e a alicerçar o caminho dos desejos sexuais que se vão despertando. Fase Genital: A fase final do desenvolvimento biológico e psicológico ocorre com o início da puberdade e o conseqüente retorno da energia libidinal aos órgãos sexuais. Neste momento, meninos e meninas estão ambos conscientes de suas identidades sexuais distintas e começam a buscar formas de satisfazer suas necessidades eróticas e interpessoais. Uma pessoa fixada em uma determinada fase preferirá satisfazer suas necessidades de forma mais simples ou infantil, ao invés dos modos mais adultos que resultariam de um desenvolvimento normal. Quando uma fase não consegue ser suprida, Freud usa o termo fixação. A fixação esta associada com a regressão, que é a tendência para retroceder a um modo de gratificação anterior, em geral sob stress. O Complexo de Édipo O Complexo de Édipo que ocorre aproximadamente entre os 3-5 anos de idade é uma relação de desejos amorosos e hostis que a criança vivencia em relação aos seus pais no pico da fase fálica. O rival da criança é o genitor do mesmo sexo, pois seu objeto de amor é do sexo oposto. Nessa estrutura triangular a interação entre os desejos inconscientes dos pais e as pulsões da criança desempenha papel fundamental na constituição do cenário edípico. Faz-se necessário uma intervenção do rival, a fim de marcar e limitar o sujeito. Em sua forma completa, num nível inconsciente, ambas as formas coexistem devido à ambivalência da criança e sua necessidade de proteção. A relação dialética entre ambas as formas poderá determinar se o desejo humano seguirá uma orientação homo ou heterossexual. Segundo Freud, a menina é obrigada a admitir sua castração mais rapidamente. Ela passa então a considerar o homem como detentor do falo, ocupando assim uma posição de superioridade. Apesar disso, se rebela contra a possibilidade de não vir a possuir um pênis um dia, passando a invejar o órgão masculino. Desta forma, a sexualidade da menina poderá trilhar três caminhos. São eles: • No primeiro, frustrada pela comparação com os meninos, a menina cresce insatisfeita com seu clitóris e abandona sua atividade fálica e sua masculinidade. • No segundo, ela agarra-se à sua masculinidade ameaçada e até uma idade tardia é movida pela esperança de conseguir um pênis. Esperança esta, que se torna um objetivo e que faz surgir a fantasia de ser um homem. Freud denomina este segundo caminho de complexo de masculinidade, que nas mulheres explicaria uma escolha homossexual manifesta. • O terceiro caminho, a menina atingirá a atitude feminina normal final, tomando então o pai como objeto amoroso. O complexo de castração tem efeito mais tardio no menino e ocorre quando este se lembra das ameaças de castração realizadas por seus pais frente à suas atividades masturbatórias. De forma semelhante com o que ocorre com as meninas nas experiências infantis sexuais, os meninos ao visualizarem o órgão sexual das meninas de sua idade, constatam que estas, ao contrario do que acreditavam, não possuem pênis. Eles porem não se conformam com esta diferença anatômica, e sustentam a fantasia de que as meninas possuem um pequeno pênis que um dia irá crescer. Quando percebe que sua mãe, uma adulta também é desprovida de pênis, o menino se vê angustiado, pois relembra as ameaças de castração feitas por seus pais diante de sua atividade masturbatória. O menino aceita então a interdição da mãe enquanto objeto sexual e reconhece a lei paterna, no intuito de conservar seu pênis. Esta interdição que só é possível pelo efeito do complexo de castração, que destrói o complexo de Édipo nos meninos. Em A Dissolução do Complexo de Édipo (1924d) Freud diz: “Quando o ego não conseguiu provocar mais do que um recalcamento do complexo, este permanece no id no estado inconsciente; mais tarde irá manifestar sua ação patogênica.” O declínio do complexo de Édipo ocorre na entrada do período de latência, que estão relacionados à ameaça de castração nos meninos e ao desejo de ter um bebê nas meninas. Caso o mesmo não seja resolvido nesta fase, será vivenciado na puberdade com muito mais ferocidade. O Complexo de Édipo mantem sua função de um organizador inconsciente durante toda a vida.. REFLEXÃO PESSOAL 1. Faça uma lista das pessoas de que você mais gostou ou que amou em sua vida – excluindo seus pais. Liste homens e mulheres separadamente. 2. Descreva os aspectos desejáveis e indesejáveis de cada pessoa. 3. Examine, registre e reflita sobre as semelhanças e diferenças nas listas. Existem traços em comum entre os homens e mulheres? A Educação Sexual das Crianças Para Freud, as crianças devem receber educação sexual assim que demonstrarem algum interesse pela questão. Essa resposta é de uma decorrência natural do fato de entender que, se já existe na experiência da criança algo de natureza sexual, não há por que negar a ela as informações através das quais poderá dominar, intelectualmente, o que já e conhecido no plano da vivência (Kupfer, 46). Segundo Freud, os pais geralmente procuram esconder com fábulas à verdadeira historia da origem da criança. Utilizam fabulas da cegonha, sapo, fada, com medo de despertarem precocemente a uma sexualidade. O erro dos pais e dos educadores se pela ignorância teórica, facilmente solucionável através do esclarecimento sobre a sexualidade infantil. Freud vai alem, e relata que as praticas educativas são determinadas pelos recalcamentos sofridos pelo educador, que incidem sobre a parte infantil da sua sexualidade (Kupfer, 47). A Aprendizagem Segundo Freud Freud não explorou temas sobre educação, no entanto, gostava de pensar nos determinantes psíquicos que levam alguém a ser um “desejante do saber” Neste contexto entra as crianças, que, a partir de um determinado momento, bombardeiam os pais com por quês (Kupfer, 79). Para Kupfer, devemos buscar resposta para a seguinte pergunta: O que se busca quando se quer aprender algo? A partir desta reflexão poderemos saber o que é o processo de aprendizagem, visto que este depende da razão que motiva a busca do conhecimento. Para Freud o momento fundamental e decisivo na vida do sujeito, se da quando ele descobre a diferença sexual anatômica, a partir deste momento “descobrem” que o mundo se divide em homens e mulheres. Esta descoberta implica a entender que de fato alguma coisa faltava. A criança descobre diferenças que a angustiam. É essa angústia que a faz querer saber (Kupfer, 80). Espera-se que ao final da época do conflito edipiano, o interesse sexual fique reprimido, dando lugar a sublimação. Por não poderem ou estarem mais interessadas em saber sobre sexualidade, procedem por um deslocamento dos interesses sexuais, para objetos não sexuais. Para Freud, esta investigação sublimada, nada mais é do que pulsão de domínio. Para os educadores, nada mais e do que a pulsão do saber.